História do DEER

Descobrimento de rotas e aberturas de caminhos são fatos inseparáveis da história e do desenvolvimento do Brasil e de Minas Gerais. Assim como Pedro Álvares Cabral traçou a rota marítima para chegar às Índias e descobriu o Brasil, corajosos Bandeirantes, no século XVI, abriram trilhas e caminhos no sertão em busca de pedras preciosas e ouro, o que os levou a extrapolar a linha do Tratado de Tordesilhas e a redesenhar as fronteiras da época.

As descobertas de reservas auríferas e diamantíferas provocou a instituição das estradas reais na capitania das Minas Gerais. Desde então, esses traçados reais adquiriram natureza oficial, uma vez que toda a circulação de pessoas, mercadorias, ouro e diamante era obrigatoriamente feita por eles, constituindo crime de lesa-majestade a abertura de novos caminhos.

Durante todo o século XVIII e parte do XIX, quando a era mineradora já se fora e os caminhos se tornaram livres e empobrecidos, as estradas reais foram os principais troncos viários que possibilitaram o desenvolvimento urbano de vilas e arraiais, consequentemente, da economia, através do comércio e da implantação das primeiras indústrias, assim como a proximidade com a corte ajudou na criação de um pólo cultural na região centro-sul do território.

A CONSTRUÇÃO DO PRIMEIRO CAMINHO

Em 1841, D. Pedro II encarregou o major engenheiro alemão Júlio Frederico Koeler de construir um caminho melhor de Porto da Estrela, no Rio de Janeiro, a Petrópolis, onde a família imperial costumava passar temporadas na Fazenda Córrego Seco, atual Petrópolis. A estrada era a principal via para se chegar às Minas Gerais e tinha grande importância econômica. Surgia, assim, a Estrada Normal da Serra da Estrela, que pode ser percorrida até hoje. Naquela época, era preciso seguir de barco até Porto Mauá, depois por estrada precária até Raiz da Serra e, então, ir pela nova estrada, num percurso de 14 km, até Petrópolis.

Em 1854, com a inauguração da primeira estrada de ferro brasileira, Porto Mauá à Raíz da Serra, construída por iniciativa de Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, o tempo de viagem foi reduzido em quatro horas, passando o tempo de viagem no trajeto ser de apenas 23 minutos: a viagem a Petrópolis então começava por via marítima até Porto Mauá, depois por trem até Raiz da Serra e seguia por diligência na estrada Normal da Serra da Estrela.

Em 1854, o Comendador Mariano Procópio Ferreira Lage recebeu a concessão, por 50 anos, para a construção de custeio de uma estrada que, partindo de Petrópolis, chegasse à margem do Paraíba. Nascia, assim, a Estrada União e Indústria, cujo nome é o mesmo da empresa que havia sido criada e cuja receita provinha da cobrança de pedágio por mercadoria, mais precisamente por burro carregado. Os trabalhos da estrada tiveram início em 1856, sendo inaugurada por D. Pedro II em 23 de junho de 1861. Através desta estrada, construída com pedra britada, saibro e recalque de cilindro, unindo Petrópolis a Juiz de Fora, era possível percorrer seus 144 km à fantástica velocidade de 20 km/h nas diligências da época.

O INÍCIO DOS CAMINHOS NO SÉCULO XX

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Foto: Divulgação DEER

Nos anos 20 do século passado, a construção e a conservação de estradas de rodagem eram de responsabilidade dos municípios, ficando para o Estado apenas as consideradas mais importantes sob o critério político. A utilização de um sistema descentralizado comprometia a eficácia do sistema de transportes nos estados. Como primeira solução para resolver o problema foi criada a Inspetoria Geral de Estradas, subordinada à Secretaria de Viação e Obras Públicas.

Oito anos após a criação da Inspetoria Geral de Estradas, o crescimento do Estado e a necessidade de interligar os municípios mineiros, obrigou a Secretaria a sofrer uma nova reorganização, criando o que seria o embrião do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais. Com a criação do Fundo Rodoviário Nacional pelo Governo Federal, em 1945, disponibilizando auxílio financeiro aos Estados, a criação de um departamento ou repartição de estradas de rodagem tornou-se inevitável.

Nascia, então, em 04 de maio de 1946, como pessoa jurídica e autonomia financeira e administrativa, o Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de Minas Gerais, que seria o responsável pelo gerenciamento da parcela do Fundo Rodoviário Nacional que cabia ao estado de Minas Gerais. Seu primeiro diretor geral foi o engenheiro Randolfo Trindade, começando assim a contribuição dos primeiros desbravadores do Órgão para alterar a realidade do rodoviarismo mineiro.

prediovelhoFoto: Divulgação DEER

A ERA DO RODOVIARISMO MINEIRO: AMPLIAÇÃO DOS CAMINHOS

Registros da época dão conta de que a rede rodoviária recebida pelo DER/MG era formada por estradas "carroçáveis" e/ou de "estiagem", pois somente podiam ser utilizadas durante o período seco. Tal situação só comecou a mudar durante o governo de Juscelino Kubitscheck de Oliveira (1951-1954), quando coube ao DER/MG uma parcela considerável dos encargos previstos no programa de obras baseado no binômio " Energia e Transporte", lançado no período. Este fato provocou uma radical transformação na estrutura do Departamento, que se adaptou para as novas responsabilidades. Na época, a construção de uma extensa rede de estradas passou a fazer parte do Plano Rodoviário Estadual, em conformidade com o Plano Rodoviário Nacional.

O orçamento do DER/MG, que entre 1950/1951 havia aumentado em 9,3%, foi acrescido em 282% entre 1951/1952, a fim de possibilitar a viabilização das obras e aquisição dos equipamentos necessários. Iniciaram-se, também, as pesquisas e ensaios técnicos de tipos de pavimentos econômicos, duráveis e resistentes adequados às rodovias de Minas Gerais. O DER/MG se desenvolveu rapidamente e ganhou uma importância e dimensão tão grande, que, em 1953, foi inaugurada a sua sede definitiva, com a presença do então Governador Juscelino Kubitscheck de Oliveira, que recebeu, na ocasião, o título de patrono do Órgão.

Estradas

Foto: Divulgação DEER

Com base no Plano Rodoviário Nacional foi criado, no período, o Plano Rodoviário Estadual, que estimava a construção de uma malha de 12 mil quilômetros. Focado nessa meta, o DER/MG transformou Minas Gerais em um grande canteiro de obras para a construção de estradas que ligariam entre si os principais pontos urbanos do estado.

TECNOLOGIA APRIMORA OS CAMINHOS

No período de 1964 a 1967, muitas alterações se verificaram em nível de qualidade e inovação de tecnologias, através do desenvolvimento de diversos trabalhos com a USAID (Aliança Para o Progresso), e depois com o GEIPOT (Grupo Executivo para Implantação da Política de Transporte): pesquisas para contagem de viagens e destino, sistematização da malha rodoviária, determinação de prioridades e classificação de todos os trechos.

Na década de 70, o órgão trabalhava na construção das estradas mineiras no mesmo ritmo que o "milagre econômico brasileiro" chegava ao seu apogeu. Na época, o DER/MG contava com 30 Coordenadorias Regionais que se reportavam diretamente ao Diretor Geral, provocando uma sobrecarga em suas atribuições. Para equacionar a situação e adequar-se à nova realidade, diversos modelos estruturais administrativos foram implantados.

Estrada à Dores do Indaiá na Década de 70

Foto: Divulgação DEER

Através de empréstimos internacionais, o DER/MG manteve suas máquinas trabalhando nos anos 80. Apenas no Vale do Jequitinhonha foram implantadas mais de mil quilômetros de novas rodovias. As estradas vicinais receberam atenção especial com a construção de centenas de quilômetros de vias que possibilitaram o escoamento da produção agrícola e a integração de pequenas vilas e comunidades rurais aos centros regionais.

Nos anos 90, com a extinção da Transportes Metropolitanos - Transmetro, além do gerenciamento do transporte intermunicipal mineiro, o DER/MG passou a ser responsável também pelo gerenciamento do transporte coletivo na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O DER/MG chegou à essa década com uma estrutura operacional composta da Sede e de 40 Coordenadorias Regionais distribuídas por todas as regiões de Minas Gerais.

Rodovia Mineira
Foto: Divulgação DEER

UM NOVO NOME E OUTROS DESAFIOS A PARTIR DE 2016

Em 25 de outubro de 2016, com a publicação do Decreto 47069, é acrescentando uma nova palavra ao nome do órgão, que passa a se chamar Departamento Edificações de Estradas de Rodagem do Estado de Minas Gerais - DEER/MG, por ter incorporado a suas atividades, as funções e o corpo de servidores do Departamento de Obras Públicas de Minas Gerais - DEOP. 

Com um corpo técnico altamente qualificado, composto por cerca de 1.300 servidores, o DEER/MG está presente em toda Minas Gerais. Além de uma sede em Belo Horizonte, são 40 unidades em cidades polo mineiras desenvolvendo atividades relativas à edificação, construção e manutenção de estradas e rodovias, fiscalização, educação para a segurança no trânsito, bem como na elaboração, em consonância com as diretrizes estabelecidas pela Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas, estudos, pesquisas e projetos que visam melhorias no tráfego e no trânsito.